Existem momentos em que estamos diante de uma decisão importante e nossa oração se resume a uma pergunta:
“Deus, devo fazer isso?”
É uma pergunta importante.
Antes de avançarmos, precisamos colocar nossos planos diante de Deus e buscar direção para compreender se aquele realmente é o caminho.
“Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.” Provérbios 16:3
Mas acredito que podemos ir além.
Porque talvez não precisemos apenas saber se devemos fazer.
Precisamos entender o que fazer, por que fazer, quando fazer, onde fazer, com quem fazer, como fazer e até quanto investir.
E isso começa muito antes de qualquer método.
Começa com relacionamento.
Antes das respostas, precisamos de relacionamento
Nosso tempo com Deus não pode existir apenas quando precisamos tomar uma decisão.
Não podemos procurar Deus somente quando precisamos de uma resposta.
Relacionamento não funciona assim.
Precisamos aprender a investir tempo a sós com Deus.
Tempo para estar com Ele sem pressa.
Tempo para louvar, adorar, agradecer, falar, mas também para ficar em silêncio, para ouvir.
Tempo para simplesmente desfrutar de Sua presença.
Jesus nos ensinou sobre esse lugar secreto:
“Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto.” Mateus 6:6
Existe algo poderoso quando criamos intencionalmente esse ambiente.
Não estou falando necessariamente de um lugar físico específico, mas de um ambiente de relacionamento, intimidade, entrega e amor.
É nesse lugar que nossas conversas com Deus ganham profundidade.
Porque oração não é apenas apresentar uma lista de pedidos.
Oração é relacionamento.
É conversa, comunhão. É falar, mas também ouvir. Perguntar, mas também permanecer em silêncio.
É apresentar nossos desejos, mas também estar disposto a submetê-los.
É entrar querendo uma resposta e, algumas vezes, perceber que Deus primeiro quer trabalhar em nós.
Não comece pelas perguntas
Esse talvez seja um dos princípios mais importantes dessa proposta.
Não sente para seu tempo com Deus e imediatamente abra uma lista. Comece por Ele. Desacelere a mente.
Reconheça quem Deus é antes de falar sobre aquilo que você precisa.
Depois desse tempo de relacionamento, podemos apresentar aquilo que está em nosso coração.
Uma oportunidade.
Um projeto.
Uma mudança.
Uma decisão profissional.
Um negócio.
Um ministério.
Um investimento.
Um sonho.
E inicialmente talvez exista apenas uma pergunta:
“Espírito Santo, esse é o caminho?”
Não precisamos começar tentando entender todos os detalhes.
Oração também precisa ser um lugar onde nossas decisões podem mudar.
Depois da direção, vêm novas perguntas
Quando percebemos um direcionamento para avançar, começa uma segunda etapa.
Porque receber uma direção não significa necessariamente receber todo o projeto.
Às vezes entendemos o que devemos fazer, mas ainda não sabemos como.
Sabemos que devemos avançar, mas ainda precisamos compreender quando.
Temos clareza sobre o projeto, mas ainda não sabemos com quem devemos construí-lo.
É nesse momento que uma ferramenta muito conhecida na gestão pode nos ajudar a organizar nossas perguntas: o 5W2H.
Não para substituir a direção do Espírito Santo.
Não como uma fórmula para receber respostas.
Não para transformar oração em planejamento estratégico.
Mas simplesmente para nos ajudar a fazer perguntas melhores e mais completas diante de Deus.
5W2H em oração
O 5W2H é estruturado a partir de sete perguntas:
What: O quê?
Why: Por quê?
Where: Onde?
When: Quando?
Who: Quem?
How: Como?
How much: Quanto?
Normalmente utilizamos essas perguntas para organizar projetos, decisões e planos de ação.
Mas também podemos utilizá-las para aprofundar aquilo que estamos colocando diante de Deus.
O que?
Espírito Santo, o que exatamente devo fazer?
Qual é realmente o projeto?
O que precisa ser construído?
Qual deve ser o próximo passo?
O que faz parte dessa direção e o que estou acrescentando por vontade própria?
Por quê?
Por que devo fazer isso?
Qual é o propósito?
Por que isso precisa existir?
Estou sendo movido por propósito ou por comparação, ansiedade, vaidade, dinheiro ou necessidade de reconhecimento?
Nem toda boa oportunidade necessariamente faz parte do nosso propósito.
Com quem?
Com quem devo fazer?
Quem precisa caminhar comigo?
Quem possui habilidades que eu não tenho?
Quem pode me aconselhar?
Quem devo convidar?
E existe também uma pergunta difícil:
Quem não deveria fazer parte disso?
Quando?
Quando devo fazer?
Uma direção correta no tempo errado pode gerar consequências que poderiam ser evitadas.
Talvez seja para começar agora.
Talvez seja para preparar agora e executar depois.
Talvez seja necessário esperar.
Existe diferença entre receber uma direção e receber uma autorização para começar imediatamente.
“Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.”
Eclesiastes 3:1
Onde?
Onde isso deve acontecer?
Em qual ambiente?
Em qual cidade?
Dentro da estrutura que já possuo ou em uma nova?
Na empresa?
Na igreja?
Na internet?
Em determinada comunidade?
Podemos compreender a missão e ainda precisar discernir o campo onde ela deverá ser desenvolvida.
Como?
Como devo fazer?
Qual deve ser o formato?
Como começar?
Qual deve ser a sequência?
O que preciso aprender antes?
Que estrutura preciso desenvolver?
Quais portas devo procurar?
Qual é o próximo passo?
Nem sempre receberemos todo o caminho de uma vez.
Às vezes teremos clareza apenas sobre o próximo passo.
E talvez seja exatamente do que precisamos.
Quanto?
Quanto devo investir?
E não estou falando apenas de dinheiro.
Quanto tempo?
Quanto de energia?
Quanto de recursos?
Quanto estou disposto a dedicar?
Qual será o impacto dessa decisão sobre minha família, meu trabalho, meu ministério e as outras responsabilidades que Deus já colocou em minhas mãos?
Todo projeto possui um custo.
Discernir esse custo também faz parte de construir com sabedoria.
Fale. Pergunte. Mas também aprenda a ouvir.
Talvez essa seja a parte mais difícil.
Estamos acostumados a falar durante a oração.
Apresentamos problemas.
Fazemos pedidos.
Contamos nossos planos.
Pedimos respostas.
Dizemos amém.
E vamos embora.
Mas relacionamento exige espaço para o outro falar.
Por isso, nosso Tempo a Sós com Deus também precisa ter momentos de silêncio, meditação na Palavra e disposição para ouvir.
“Fala, pois o teu servo está ouvindo.” 1 Samuel 3:10
Talvez uma das orações mais importantes que possamos fazer seja simplesmente:
“Espírito Santo, o que o Senhor quer me mostrar sobre isso?”
E então não preencher imediatamente o silêncio com novas palavras.
Ouvir.
Esperar.
Anotar.
Voltar à Palavra.
Continuar orando.
Talvez a resposta venha naquele momento.
Talvez venha durante a leitura da Bíblia.
Talvez uma convicção seja construída durante vários dias.
Talvez seja necessário esperar semanas.
E talvez a resposta seja diferente daquela que gostaríamos de receber.
Isso também faz parte do relacionamento.
Não é preencher uma planilha
O objetivo do 5W2H em oração não é conseguir preencher sete campos ao final de quinze minutos.
Talvez você passe vários dias em apenas uma pergunta.
Talvez algumas respostas estejam claras e outras ainda não.
Talvez seja necessário voltar ao mesmo assunto diversas vezes.
Não existe problema nisso.
Não estamos tentando encaixar o Espírito Santo em um método.
Estamos apenas organizando nossas perguntas para aprofundar uma conversa.
E aquilo que entendemos em oração precisa continuar passando pelo discernimento.
Está de acordo com a Palavra?
Existe convicção consistente ou apenas empolgação?
Há sabedoria nessa decisão?
Pessoas maduras e de confiança enxergam coerência nesse caminho?
As circunstâncias confirmam ou confrontam aquilo que estamos entendendo?
Precisamos tomar cuidado para não chamar automaticamente de “direção de Deus” aquilo que simplesmente desejamos muito.
Talvez você precise de mais do que um sim ou não
Se existe uma situação importante diante de você neste momento, separe tempo.
Não apenas cinco minutos para pedir uma resposta.
Invista tempo com Deus.
“Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” Tiago 1:5
Talvez você descubra que precisava de muito mais do que uma resposta.
Precisava de relacionamento.
Porque antes de buscarmos apenas as respostas de Deus, precisamos aprender a buscar o próprio Deus.
E quando fazemos do Tempo a Sós com Deus parte da nossa vida, nossas decisões deixam de ser apenas perguntas pontuais feitas nos momentos de necessidade.
Elas passam a fazer parte de uma caminhada.
Relacionamento gera intimidade.
Intimidade desenvolve sensibilidade.
Sensibilidade produz discernimento.
Discernimento nos ajuda a tomar decisões.
E decisões guiadas por sabedoria nos ajudam a construir aquilo que realmente vale a pena construir.
Antes de construir seus planos, construa uma vida de relacionamento com Deus.
Edifique-se.

Deixe um comentário